ONDE ESTÁ A REFERÊNCIA DA PÓS-GRADUAÇÃO BRASILEIRA ?

ONDE ESTÁ A REFERÊNCIA DA PÓS-GRADUAÇÃO BRASILEIRA ?

Com frequência testemunhamos a enorme distância entre retóricas retumbantes e realidades frustrantes quando o assunto é a pós-graduação brasileira. Logicamente, os discursos ufanistas são sempre proferidos por àqueles que estão no comando da pós-graduação, ou a serviço deles, e, portanto, sem nenhuma isenção em relação ao que falam, e sem nenhum compromisso com a socialização das oportunidades de pós-graduação no Brasil. Já a realidade, é fruto de dados qualitativos e quantitativos.

Vejamos, por exemplo, que o ilustre Deputado Federal Waldenor Pereira (PT – BA), relator do Projeto de Lei nº 1981 / 11, que também é docente e que segundo seu currículo iniciou um Doutorado na Universidade Complutense de Madri, em 2001, afirmou em audiência pública na Câmara Federal em 10 de dezembro último que “Hoje, já somos uma referência internacional em cursos de pós-graduação e não podemos voltar atrás”.

Mas Deputado, onde está essa ‘referência internacional’ que Vossa Excelência afirma? Exatamente na mesma data em que o nobre parlamentar proferia esta ‘sábia afirmação’, era veiculado o resultado da última avaliação trienal da CAPES, no âmbito da qual 3.337 programas foram avaliados e somente 12,2% dos mesmos obtiveram nota 6 ou 7, o que os ‘equipararia’ aos ‘supostos padrões internacionais.’ Será que esse baixo quantitativo permite auferir ao Brasil a chancela de ‘referência internacional de pós-graduação’ ?

E mais. Numa escala de 0 a 7 que é utilizada pela CAPES para tal avaliação, 68,1% dos cursos avaliados tiveram nota 3 ou 4. Será isso digno de referência internacional ?? Com todo respeito Deputado, sejamos mais humildes, coerentes e realistas. O Brasil ainda tem muito o que conquistar para ser, de fato, ‘referência internacional de pós-graduação’.

Fazendo uma análise comparativa, utilizando um recurso matemático básico, e nem precisaríamos ser pós-graduados para isso, é quase o mesmo que afirmarmos que numa escala de 0 a 10 de avaliação de uma turma de estudantes, a média de aproveitamento da turma tenha 68,1% dos alunos com nota entre 4,2 e 5,7. Será esta uma ‘turma de excelência’? Se este for o entendimento, talvez esteja aí a explicação para os péssimos resultados que o Brasil tem tido em todas as avaliações internacionais relacionadas à educação.

Especialistas que se pronunciaram a respeito dos últimos resultados relativos às melhores universidades do mundo, constataram exatamente que o pífio desempenho do Brasil deve-se, por exemplo, a fatores tais como falta de intercâmbio, baixa relevância das pesquisas desenvolvidas, baixo número de publicações e de citações em revistas internacionais. E tudo isso tem muito a ver com nossa pós-graduação.

Portanto, se alguém souber onde está essa ‘referência internacional em cursos de pós-graduação’ que o Brasil possui, segundo afirmação do Deputado Waldenor Pereira, por favor avise ao responsável por este texto.

Carlos Estephanio
Presidente da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
DE PÓS-GRADUADOS NO MERCOSUL
presidencia@abposmercosul.com.br

Outras notícias