EM NOVO RANKING, BRASIL NÃO TEM NENHUMA UNIVERSIDADE ENTRE AS 200 MELHORES

EM NOVO RANKING, BRASIL NÃO TEM NENHUMA UNIVERSIDADE ENTRE AS 200 MELHORES

Segundo o Ranking Mundial de Universidades 2013 – 2014, divulgado ontem pela consultoria britânica Times Higher Education (THE), o Brasil não tem NENHUMA universidade entre as 200 melhores do mundo.

Até mesmo a USP, que no último Ranking figurava na 158ª posição, agora se situa em 226ª colocação. Ao mesmo tempo que nos cabe lamentar tal cenário, nos resta clara também a indignação, pela ‘hipocrisia’ de alguns teóricos e conservadores que ‘travestidos’ de doutores ficam a se equilibrar num carcomido pedestal próprio dos hipócritas, como se merecessem destaque pelas suas inúmeras produções, não raras vezes carentes de aplicabilidade, e combatendo os que se titulam fora do país por absoluta falta de oportunidades no Brasil.

É o que percebemos, por exemplo, na maioria das universidades brasileiras, quando muitas vezes na insana luta pela revalidação de um título obtido dignamente no exterior, um cidadão é ‘enxovalhado’ por grupos de doutores que se acham mais competentes do que quaisquer outros titulados. Reação própria dos que temem a concorrência de mestres e doutores formados no exterior, e falo especialmente do Mercosul e de Portugal com os quais o Brasil mantém Acordos específicos.

Segundo o editor da Times Higher Education (THE), a maior falha do Brasil é no quesito pesquisa: ” As universidades falham na burocracia….Elas não tem liberdade e flexibilidade para responder às demandas do livre mercado e do conhecimento”. Perfeita colocação de Phil Baty, editor da THE, mas me permitiria acrescentar apenas que à citada falta de liberdade e flexibilidade, falta também nas universidades, especialmente nas pessoas de seus dirigentes e ‘submissos comandados’, a dignidade própria de quem deve ter compromisso com a nação, e não o receio inerente aos covardes que se entrincheiram em seus fétidos ambientes na defesa de uma nociva reserva de mercado de mestres e doutores.

O mesmo editor classificou o resultado como “negativo para o Brasil”. “Um país com seu tamanho e poder econômico precisa de universidades competitivas internacionalmente”, disse. “É um golpe sério perder a única universidade que estava entre as 200 melhores.” E destacou ainda a importância da internacionalização nas universidades brasileiras para melhorar os resultados.

Há que se destacar que o Brasil foi o único país que saiu do grupo de países com universidades classificadas anteriormente entre as 200 melhores do mundo, ao tempo em que Noruega, Espanha e Turquia ascenderam a esse grupo de elite.

Tal situação converge com uma visão de que, de fato, e conforme já afirmado recentemente pelo titular da pasta da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, o Brasil produz muito paper, mas deixa a desejar no que diz respeito a efetiva produção científica, devidamente materializada, saindo da teoria à prática. Tudo fruto de um modelo que ainda valoriza inócuas publicações, de temas muitas vezes absurdos e que, por vezes, só possuem validade para acalentar o ego de medíocres doutores brasileiros que pouco produzem de fato para o bem estar da sociedade.

Senhor presidente da CAPES, ‘oculto’ maestro das ações orquestradas contra os mestres e doutores formados no Mercosul e em Portugal, o que tens a dizer ?

Oportuno destacar que enquanto brasileiros com títulos de Mestres e Doutores conquistados no exterior ficam algumas vezes rogando pela validação de seus títulos no Brasil, o nosso país ‘escancara’ as suas portas para a entrada de profissionais estrangeiros. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, desde 2005 crescem as permissões para estrangeiros trabalharem em nosso país. Somente no ano de 2012 foram concedidas 73.022 permissões.

Carlos Estephanio
Diretor Acadêmico do INSTITUTO IDEIA
Presidente da ABPÓS MERCOSUL

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